
Bem, neste
findi tô de folga e resolvi fazer uma pequena maratona de cinema
cult, porque não tem cabimento um marmanjo de 21 nunca ter assistido Laranja Mecânica, a trilogia do Poderoso
Chefão,
Apocalypse Now e outras
cositas mas intelectuales. São nove filmes. Vou contando de que se tratam as obras(mesmo que eu desconfie que sou o único a não saber).
Os
Philmes são:
O Poderoso Chefão: Em suma é a transição de poder de uma
famiglia. Transição do pai
gagá pro filho que descobre que o diabo mora dentro dele e que isso é muito legal. Vale cada minuto.
Coppola tem
timming pra narrar as coisas, pra desenvolver os personagens e não deixar 177
min de filme
entediantes. Outra ressalva é
pras atuações do
Pacino(que só reconheci como
Pacino quando
tava de cara inchada no meio da história) e do
Marlon Brando. Os dois são naturais ao ponto de prender os olhos da gente neles quando estão em cena.
Foda.
O Poderoso Chefão II: A segunda parte do
Powerful Big Boss tem duas frentes: a do estabelecimento do
Mike como o
Gooooooodfather e uma outra que conta a história de Vito
Corleone, desde sua saída da Sicília até virar o
fodão em
NY. Tudo no filme é muito fluido, tudo muito natural, e isso é difícil ver em filmes hoje em dia, nessa modinha de "cinema enlatado". É muito bom também ver a
consistência da história. Parece mesmo que é um mundo do qual se fala um pouco, e sobre o qual há o que falar. Não um queijo cheio de buracos, com
encheção de linguiça. Mas dentre todas as
características, técnicas ou não, o que mais me chama atenção n'O Poderoso é algo bem banal: a educação dos mafiosos. As situações são todas cheias de cavalheirismo, o que divide o crime
contemporâneo do crime do início da era do crime organizado. Lembra um pouco o charme do recente(e do fantástico) Inimigos Públicos. Ah! E Robert de Niro como Don Vito Corleone é muito
Horrorshow. Quem não
videou tem que
videar.
Laranja Mecânica: Conta a história de um
hooligan de classe média, que é preso em uma
brincadeirinha com os
coleguinhas e passa por um tratamento
experimental de reabilitação do governo. O negócio termina em merda, e no final, bem, no final a ironia e o cinismo que permeiam a história toda são ilustrados com
maestria em uma só cena. Linda. A obra de
Anthony Burgess(que eu nunca li) é fantástica pela
transgressão. é
sarcástica, divertida, inteligente. O inglês
semi-analfabeto que os personagens falam e ainda dentro disso os termos próprios que os rapazes do grupo do
Alex usam(uma mistura de russo com
cockney rhyming) acabam evidenciando como a realidade deles é destacada da Realidade. E
Kubrick passou tudo isso pro cinema de uma forma muito legal. Lá,
plasticamente, é tudo muito
psicodélico. Dos cenários à trilha(de gosto discutível) sonora clássica. É um
philme brega. Deliciosamente
brega.
Orgulho e Preconceito: Fala da história de amor entre um
almofadinha mau-humorado e uma moça pobre de uma família de
piriguetes doidas atrás de marido, que junto com a mãe
proporcionam fortes momentos vergonha-alheia. O filme é um romance que deve ser visto. Ele prova que homem se amarra mesmo em mulher difícil, que
dancinhas medievais são, de fato, a coisa mais ridícula da época e que o sorriso da
Keyra Knightley(
Elisabeth Bennet) é o mais bonito do meu fim de semana. Faltou, pra ficar tudo no esquema, a mãe da
Elisabeth(a mocinha pobre) levar uma surra, ser atropelada por um cavalo, condenada à fogueira ou algo equivalente à chatice dela.
Capote: Capote viaja pra uma
cidadezinha do
Kansas pra cobrir o assassinato de uma família, mas descobre que a chacina vai dar muito mais caldo do que só uma matéria. Resolve fazer um livro. O
philme é sobre o processo que tornou o cara o maior escritor americano da época. Vale a ressalva da
atuação do
Philip Seymour. O cara encarna o Capote lindamente sem cair na caricatura do homossexual, o que lhe rendeu o
Oscar de melhor
ator pelo personagem. Personagem que, obviamente, dá alma ao filme. Capote
atrai as pessoas. Pela
inteligência e pela própria estranheza. Se precisasse de uma palavra pra definir os 98
min. da película, seria
cinza. Na
photographia, nos níveis de clímax, na própria(e principalmente) história e até na
personalidade dos personagens. É tudo muito lento e beirando o enfadonho. Não é um
philme ruim, pelo contrário. Mas é meio "
diphícil". As tomadas panorâmicas nos cortes entre as cenas é uma
ótima ilustração do todo do
philme: inóspitas, desoladoras e frias.
ps: pra quem quiser ver o Capote de verdade, vai o link:
http://www.youtube.com/watch?v=Xe1cqDLkT38Cidade dos Anjos: Um anjo decide que não quer ser mais anjo pra pegar uma
bixinha. Chorei. É
gay, mas eu chorei vendo Cidade dos Anjos. É uma história linda, tem uma construção bem legal, os personagens são carismáticos e valem as sacadas de posicionamento dos anjos no nosso mundo: as roupas, a
predileção por lugares altos, a reunião na praia. Meio "pipoca", mas muito bom.
Boa noite, e Boa sorte: Um jornalista resolve declarar guerra a um senador chato pra cacete que acha que se sua esposa pinta as unhas de vermelho, você é comunista. Isso no começo da Guerra Fria. A fotografia do filme é maravilhosa(o preto e branco fica foda quando bem usado, sabe?) e vale como um filme-crítica, mas como diversão(não é isso que ele se propõe a ser) é, o termo é esse, chato mesmo.
O Poderoso
Chefão III:
Apocalypse Now: